terça-feira, 4 de maio de 2010

Flamengo sim tem um bando de louco!

O verdadeiro bando de loucos

Quatro meses depois do hexa, o Flamengo perde o título carioca e quase fica fora da Libertadores na fácil fase de grupos. Nos bastidores da Gávea, alguns fatos revelam por que o time parou.

Santiago, quarta-feira, 14 de abril. No intervalo do jogo pela Libertadores entre Flamengo e Universidad Católica - vencido por 2 x 0 pelo time chileno -, o goleiro e capitão Bruno dá um empurrão em Petkovic e cobra empenho do meia sérvio. A crise no elenco rubro-negro ganha as páginas dos jornais. Dois dias depois, no entanto, Pet se apresenta cedo para treinar. Cada jogador que chega depois dele o cumprimenta - muitos o abraçam - como se nada tivesse acontecido. Até Bruno vai falar com ele, sorridente. O sérvio retribui as gentilezas. Mas sabe que o clima só vai melhorar de verdade com a conquista da Taça Rio, no domingo, dia 18. Em campo, o Flamengo vê o Botafogo, após quatro decisões seguidas finalmente levantar o título carioca. E Petkovic retorna à berlinda.

Mas não só ele: Adriano volta ao time após longo tempo e perde um pênalti. O técnico Andrade passa viver sob ameaça de demissão. A nuvem fica ainda mais carregada no dia 21 de abril, após o time vencer o Caracas por 3 x 2, quando precisava de dois gols de diferença para se classificar às oitavas de final da Libertadores sem depender de outros resultados. Dois dias depois, Patrícia Amorim anunciou, em uma entrevista coletiva, a demissão de Andrade e do vice de futebol Marcos Braz. Para tudo isso se transformar num samba do crioulo doido, não faltou nem o batuque: enquanto a presidente do clube anunciava as demissões, os jogadores protestavam no vestiário com um pagode, num desrespeito poucas vezes visto.

Curiosamente, Adriano, Pet, Bruno e Andrade haviam sido os grandes heróis do Brasileirão, conquistado apenas quatro meses antes. Como explicar e entender um time desses? Como ele se sustentou antes com tantos personagens polêmicos e fortes, como Pet, Adriano, Bruno, Léo Moura, Vágner Love, Juan e companhia? As versões surgem da queda rubro-negra e, como é típico, as características negativas agora se sobrepõem às outras que levaram o clube ao triunfo. O técnico, de bom companheiro, passa a ter a ascendência sobre o grupo questionada. As referências a Adriano destacam o excesso de peso, os problemas com álcool. Pet é visto com o futebol em baixa e a vaidade em alta.
O turbilhão chegou ao alto escalão do clube. A presidente Patrícia Amorim anda com expressão abatida. Decretou tolerância zero a excessos dos atletas - antes minimizados com as boas atuações. E de excessos o atual Flamengo entende. Adriano e Vágner Love andaram aparecendo mais nas páginas policiais que nas esportivas. Depois da briga com a ex-noiva Joana Machado na favela da Chatuba, quando ela quebrou os carros de alguns jogadores, Adriano entrou num inferno astral. Primeiro, supostas ligações com bandidos foram cogitadas no episódio da compra de uma moto em nome da mãe de um chefe do tráfico — negócio que ele afirmou desconhecer. Depois, uma lombalgia o tirou de jogos
importantes. "Quando estava na Inter, teve de sair de maca por causa de lombalgia e ficou apavorado de passar por aquilo de novo. Foi só isso. Ele não está em fase de excessos com o álcool. Está bem, feliz e tranquilo", afirma o ex-goleiro Gilmar Rinaldi, empresário do Imperador. Mas o excesso de peso é inegável. Entrou em campo na final da Taça Rio com 103 quilos, 5 a mais do que seria o número ideal.

Apesar de tudo, Adriano é adorado pela maioria dos companheiros, com os quais se reúne quase toda quinta à noite num restaurante na Barra da Tijuca. Pet não frequenta o encontro semanal. E parece pouco preocupado em destoar do discurso comum. "Os problemas de Adriano influenciam em campo", afirmou ao jornal Lance!, no fim de março. "Dizem que o Pet não cumprimenta os companheiros. Mentira, ele fala com todos. Só não sai com eles, não vai para morro. A ele o Bruno empurrou! No jogo seguinte, pergunta se ele foi para cima do Adriano, que perdeu um pênalti?", diz um amigo do sérvio.
Pet também bateu de frente com o então vice de futebol Marcos Braz, o que tornou o clima na Gávea ainda mais conturbado. Membro da administração anterior, o dirigente foi mantido por Patrícia Amorim por causa do bom trabalho no Brasileirão. Mas sempre foi criticado por falar demais. Para alguns, queria aparecer mais que os jogadores. Já admitiu que Adriano e Vágner Love têm regalias; declarou que quando o Imperador começa a beber não consegue parar. No fim de março, Pet declarou que no Flamengo muita gente manda, mas ninguém se responsabiliza por nada. Nem a demissão de Braz foi vista como uma vitória de Petkovic: o próximo passo de Patrícia Amorim seria limitar a
influência do sérvio.

Diante desse ambiente de fazer inveja a muito hospício, pode-se esperar tudo do Flamengo em 2010. Inclusive nada.

Fonte: Placar

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